Publicado por: julianabassetti | Setembro 4, 2009

Ibis Salvador – Rio Vermelho

De perto ele não é tão imponente com na foto.

De perto, o ibis não é tão imponente como na foto

Não se deixe enganar quando abrir a foto do site da Rede Accor e aparecer um magnĩfico hotel à beira do mar com piscina e tudo. Na verdade, o Ibis da Rua da Fonte do Boi, bairro Rio Vermelho, é colado ao Mercury, este sim, com vista para o mar e piscina.

E para piorar, a qualidade do Ibis Salvador fica abaixo dos Ibis que conheço, o da Av. Paulista e o de Curitiba, no Centro Cívico. No Ibis baiano, todas as paredes são de dry wall, a água da pia tem uma cor estranha, às vezes o banheiro tem cheiro daqueles produtos pra fazer permanente no cabelo (ou fede ovo podre, mesmo) e tanto a suíte como o corredor têm um cheiro de produto de limpeza de má qualidade.

Mas nem tudo está perdido no Ibis Salvador. O café da manhã é muito bom, sempre com frutas, variedade de pães, dois tipos de bolo, salada de frutas, iogurte de morango, leite, cereais, queijo branco, queijo prato, presunto e outras guloseimas. O desjejum não é incluso na diária, prática comum nos hotéis Ibis, e custa R$ 10 por pessoa. Vale a pena. Comidas e bebidas do restaurante também não são uma fortuna. Na emergência da fome, peça um misto quente com três fatias de pão que sai por R$ 5 e o chá mate por R$ 3.

Eles também oferecem rede wi-fi gratuita no hall para quem tem notebook. Se quiser internet no quarto, paga-se R$ 12 por dia. Se você não tiver notebook, dançou, porque pra usar os computadores do hotel vai ter que desembolsar R$ 12 POR HORA!

Apesar de tudo, eu me hospedaria lá de novo. Não pelo prazer, mas por ser uma opção barata (para os padrões de preço da cidade) e super bem localizada. O bairro Rio Vermelho é ótimo, tem casa de sucos, bares e o acarajé da Cira (mas isso é um assunto para outro post).

Ibis Salvador

Rua Fonte do Boi, 215, bairro Rio Vermelho, Salvador, BA

Tel: (71) 3172-4100

A tarifa de balcão e online é de R$ 115 para uma ou duas pessoas.

Publicado por: julianabassetti | Setembro 2, 2009

Sabores da Dadá – Salvador – BA

Dadá: sempre sorrindo

Dadá: sempre sorrindo

Dadá é uma das principais quituteiras de Salvador e tem dois restaurantes na capital baiana, o Sorriso da Dadá, que funciona há 17 anos no Pelourinho, e o Sabores da Dadá, aberto há pouco mais de um mês no bairro Pituba. Recentemente, Dadá fechou o tradicional Varal da Dadá, seu primeiro restaurante inaugurado há 23 anos. De acordo com o gerente, o motivo foram os “problemas sociais” do bairro Alto das Pombas. Dadá sonha em utilizar o espaço para montar uma escola de culinária para crianças carentes da região: “Vão ser os chefes do futuro”, idealiza.

Antes de se aventurar nos negócios, ela vendia comida baiana na rua, marmitas e lanches. Diz que o segredo de seu sucesso foi sorte e muita vontade de trabalhar. Faz questão de frisar que cria todas as receitas, sai todas as quartas e sextas para comprar os ingredientes, que treina todos os funcionários e lembra que já está para lançar o terceiro livro de receitas.

Buffet do almoço

Buffet do almoço

Fomos até o Sabores da Dadá e tivemos o prazer de conhecer a simpatia e a simplicidade dessa baiana. Sempre sorridente, Dadá conversa e até senta à mesa com alguns fregueses. Apesar de ter o restaurante sempre cheio e badalado – entre os clientes, o diretor global Jorge Fernando e a cantora Ivete Sangalo – ela é categórica ao dizer que trata igual qualquer cliente. “Todos os meus clientes são artistas! Entendeu, negona?” expressão que repete uma vez a cada duas frases.

Lembrando o antigo Varal da Dadá

Lembrando o antigo Varal da Dadá

No Sabores da Dadá, a decoração foi cuidadosamente pensada para parecer informal. Uma corda com diversas peças de roupas penduradas faz menção ao antigo Varal da Dadá. Os joguinhos americanos tem como estampa uma foto estilizada de Dadá sorrindo. Na árvore da calçada, velas e cumbucas de barro simulam um “despacho” ou uma oferenda, vai do freguês.

Nas sextas e domingos, na hora do almoço e parte da tarde, o Sabor da Dadá tem buffet livre com vatapá, carangueijo, buchada, caldinho de sururu, bobó de camarão entre outros pratos mais a mesa de sobremesa com doces caseiros. Tudo por R$ 28,90 por pessoa. Eu recomendo escolher um prato a la carte, porque por mais que você possa provar uma variedades de pratos no buffet, nada como um feito exclusivamente para você e na hora. Sugiro a moqueca de pitú (um camarão grande de rio) que sai por R$ 50 para duas pessoas e acompanha farofa, arroz e pirão. A moqueca só de peixe custa R$ 45, também para duas pessoas, com os mesmos acompanhamentos. De entrada, caldinho de sururu (R$ 6,50). O acarajé, frito na calçada do restaurante, sai por R$ 4,50 com camarão. Não deixe de pedir a caipirinha de siriguela e de graviola. De sobremesa, prove o Negão da Dadá, um bolo de chocolate cremoso lambuzado em creme de leite por R$ 7,90. Até eu que não sou fã de sobremesas com chocolate fiquei encantada.

Água sem gás R$ 1,80

Fachada lateral

Fachada lateral

Água com gás R$ 2

Refrigerante R$ 2,80

Cerveja Nova Schin 600 ml R$ 4,30

Sabores da Dadá

Rua Minas Gerais, 111, bairro Pituba, Salvador, Bahia. (Próximo à Doceria Perini)

Funciona de terça a domingo, das 11h até o último cliente (entre meia-noite e 1h da manhã).

Cartões: Visa, Master, Hipercard e Dinners

Tel: (71) 3346-1554

Avaliação: 4 – vale a pena

Preço: $$$ – de R$ 36 a R$ 50 por pessoa

Publicado por: julianabassetti | Setembro 2, 2009

Porto do Moreira – Salvador – BA

Entrada do restaurante quase passa despercebida

Entrada do restaurante quase passa despercebida

Taí um achado no centro de Salvador. Fuja do clichê e não almoce no Pelourinho. Vá ao Porto do Moreira, restaurante que existe desde 1938. Fundado pelo falecido Moreira, hoje o local é tocado pelo filho, também Moreira. Parece uma garagem comprida, com lajotas laranjas no chão e azulejo branco até metade da parede. Alguns quadros coloridos com temas variados decoram o ambiente. O local tem fregueses assíduos que freqüentam o restaurante há mais de 20 anos.

O público fala altíssimo e muitos fazem piadas com o dono. Diz a lenda que o engraxate que fica na porta do restaurante trabalha ali há 30 anos. Para engraxar os sapatos você desembolsa R$ 2.

Clientes assíduos há mais de 20 anos

Clientes assíduos há mais de 20 anos

Os pratos são para duas pessoas e variam de R$ 20 e R$ 45. No cardápio, moqueca mista, língua, frango ao molho pardo, carangueijo ensopado, miolo, bacalhau, entre outros. Os acompanhamentos são arroz e pirão ou batata ou feijão. 

De sobremesa: ambrosia, cocada mole, pudim e outros doces caseiros. Custam, em média, R$ 5.

 

Cerveja Antártica ou Brahma 600 ml: R$ 3,50

Água e refrigerante: R$ 2

Como chegar: caminhe do Pelô até a parte de cima do elevador Lacerda. Desça em direção à Praça Castro Alves. Passe a praça e entre à direita, na rua Carlos Gomes. O Porto do Moreira fica na própria Carlos Gomes, esquina com Rua do Cabeça. É uma portinha, a placa fica bem em cima da porta mas é difícil de ver.

 

O horário de funcionamento: como descrito no cardápio, é digno de piada de português: seg a sáb das 11h às 16h e dom e feriados das 11h às 16h

Tel: (71) 3322-4112 e (71) 3322-2814

Cartões: Visa, Master e Hipercard

Avaliação: 3 – bom

Preço: $$ – de R$ 21 a R$ 35 por pessoa

Publicado por: julianabassetti | Julho 15, 2009

Índice de avaliação de bares e restaurantes

Índice de avaliação de bares e restaurantes por preço e qualidade:

$ – de R$ 5 a R$ 20 por pessoa

$$ – de R$ 21 a R$ 35 por pessoa

$$$ – de R$ 36 a R$ 50 por pessoa

$$$$ – de R$ 51 a R$ 100 por pessoa

$$$$$- Acima de R$ 100 por pessoa

Índice de Avaliação:

0 – fuja

1 – dá pra encarar

2 –razoável

3 – bom

4 – vale a pena

5 – imperdível

Publicado por: julianabassetti | Julho 12, 2009

Crepe não é Panqueca

Apesar dos ingredientes da receita serem muito parecidos (ovo, leite, trigo, manteiga) o crepe francês é bem mais fininho e a massa é mais leve. Quem entende do assunto diz que o segredo é colocar menos claras de ovos – que deixa a massa seca – e colocar mais gordura para a massa ficar leve.

Não confunda o crepe francês com o crepe suíço, aquele do palitinho, que a gente encontra pra vender bem ao lado das barraquinhas de churros. O crepe francês ainda aberto tem formato redondo. Depois de recheado, ele é dobrado nas pontas e vira um retângulo, para se comer de garfo e faca ou com as mãos.

Você pode provar um bom crepe francês na Creperia Degrau, na Lagoa da Conceição . Ele funciona num casarão do século XIX, construído em meados de 1850. Além dos crepes com massa tradicional de trigo, a casa também oferece crepes com farinha integral, de centeio, arroz ou milho (ideal para quem porta a doença celíaca e não pode ingerir glúten) e uma massa especial para os vegetarianos que não consomem derivados de ovo ou leite. Outra opção são as massas verdes (adição de espinafre em qualquer uma das massas acima) e a com chocolate. Todas as massas que fogem da tradicional acrescentam R$ 1.50 no preço.

O ambiente é agradável tanto no verão, com mesinhas na calçada e vista para a Lagoa, quanto no inverno. Na parte da frente, pequenas mesas com banquetas altas e um balcão para aqueles que só querem beber um choppe (marca Klaus por R$ 4,20) ou beliscar um crepe cortado “à francesa”, em pequenos pedacinhos. Nos fundos, poltronas acolchoadas em mesas para até seis pessoas e as fotos em preto e branco de ícones do rock, blues, jazz e do cinema americano remetem a um pub londrino. A creperia tem uma grande variedade de cervejas especiais e importadas. A seleção de músicas inclui sons nacionais como Lenine e Adriana Calcanhoto, lounge music, jazz e blues num volume que não incomoda quem quer conversar ou apenas comer.

Se você está com pouca grana mas quer conhecer o lugar, o crepe mais barato é o de queijo com massa tradicional, que sai por R$ 9,50. O marguerita (queijo, tomate e manjericão) custa R$ 12,50. Quem gosta de inovar pode pedir o de tofú com brócolis, cenoura e azeitona, a R$ 13, ou rúcula com tomate seco e mussarela de búfala por R$ 15,50.

Para os fãs de doces, ficam as sugestões do crepe Suzete, tradicional receita francesa, recheado com geléia de laranja e licor Grand Munier por R$ 12 e do doce de leite por R$ 7.

E se estiver com pouca fome, não se acanhe em dividir. Muitos casais pedem um crepe só. Como nós fizemos.

Nós provamos: crepe de espinafre com ricota na massa de arroz. A ricota deixa o crepe um pouco seco e a massa de arroz é bem sequinha também e com sabor bem suave, quase uma hóstia. Demos uma boa regada com azeite de oliva e ficou jóia! Experimente adicionar sorvete de creme nos crepes doces. O sorvete é dobrado dentro do crepe! Dependendo da escolha do recheio doce, vale a pena!

Falha: alguns ingredientes são aquecidos no microondas e não ficam quentes nem saborosos como se fossem aquecidos numa panela.

Onde: Rua João Pacheco da Costa, 595, estrada geral do Canto dos Araçás, Lagoa da Conceição, Florianópolis

Funcionamento: de terça a domingo das 18h30 a 1h

Telefone: (48) 3338.1416

Cartões: Crédito e débito do Visa e do Master Card

Tele-entrega: é eficiente e atende toda Florianópolis, mas o crepe chega murcho e sem graça. Em suma, não recomendamos.

Pra economizar: Se você dividir um crepe de queijo, um de doce de leite e dois choppes Klauss, a conta com os 10% sai por R$ 27,39. Um casal sai bem satisfeito.

Cotação: $

Avaliação: 4

site http://www.creperiadegrau.com.br/

Publicado por: julianabassetti | Julho 12, 2009

Gripe suína e a descoberta da gastronomia em Floripa

Por conta da gripe suína não pude viajar para Argentina, Chile nem outro lugar fora do Brasil. Para não ficar sem atualizar o blog, decidi dar dicas gastronômicas da minha cidade, Florianópolis.

Espero que vocês gostem e que minhas dicas sejam úteis caso alguém decida passar um frio aqui no sul. SEGUE ABAIXO O ÍNDICE PARA MINHAS AVALIAÇÕES

Abraços a todos!

ÍNDICE DE PREÇOS

$ – de R$ 5 a R$ 20 por pessoa

$$ – de R$ 21 a R$ 35 por pessoa

$$$ – de R$ 36 a R$ 50 por pessoa

$$$$ – de R$ 51 a R$ 100 por pessoa

$$$$$- Acima de R$ 100 por pessoa

AVALIAÇÃO:

0 – fuja

1 – dá pra encarar

2 –razoável

3 – bom

4 – vale a pena

5 – imperdível

Publicado por: julianabassetti | Setembro 11, 2008

O Melhor Restaurante de Buenos Aires

Aos que crêem que gosto não se discute, recomendo não ler esse post. Na minha opinião, gosto se discute sim (ou, como diz o ditado, gosto não se discute, lamenta-se, profundamente)! Afinal, você tem que definir critérios para justificar se algo é bom ou não. A resposta de “gosto porque esse é meu gosto” apenas esconde a incapacidade de explicitação de seus próprios critérios. É isso que faz da crítica (de arte, de cinema, gastronômica, etc.) algo tão difícil.

Dito isso, ressalto que não tenho qualificação para ser uma boa crítica gastronômica, pois não tenho traquejo na sutileza dos critérios. Mas, modéstia à parte, sei dizer se um prato é medíocre, se é apenas correto, ou se é estupendo!

Sem mais rodeios, vamos ao que interessa. O melhor restaurante de Buenos Aires, sem sombra de dúvida, é um pequeno bistrô, de cozinha de autor, chamado Restó (apelido portenho para restaurante).

Como não tenho a cara de pau dos blogueiros gastronômicos, que sacam a câmera, tiram foto da entrada, do prato principal, da sobremesa, das pernas da garçonete, etc., sinto, mas a foto foi tirada de um guia de restaurantes de Buenos Aires.

Vejam que é um restaurante pequeno. Além das mesas que vocês vêem na foto, talvez haja, no máximo, mais umas duas. Ele só aceita dinheiro. Não abre aos fins de semana. À noite, só abre na quinta e na sexta (de segunda à sexta, abre para o almoço), mas, talvez por isso mesmo, a comida é fantástica.

Seu cardápio é enxuto, e muda ao sabor das experimentações do chefe, e, claro, da disponibilidade de ingredientes. São algumas opções de entrada, três ou quatro opções de prato principal, e algumas sobremesas. Ele fica escondidinho, dentro da Sociedade Central de Arquitetos de Buenos Aires (Rua Montevideo 938 . Tel: 4816-6711). Não preciso dizer que é altamente recomendável fazer reserva.

Conhecemos o Restó na primeira vez que fomos a Buenos Aires. Como gostamos muito de boa comida (e, tenho que admitir, São Paulo é imbatível nesse quesito), a primeira coisa que fizemos foi comprar um guia de restaurantes, numa livraria. Era um guia razoável, no velho esquema estrelas de qualidade e cifrões de gastos. Fomos experimentando cada uma das sugestões. Estávamos já meio desanimados, pois não havíamos comido nada muito excepcional. Eram restaurantes medianos. Nesse ponto, aliás, condizentes com a avaliação do guia.

Resolvemos então ir para os restaurantes recheados de estrelas (e, claro, recheados de cifrões!). Mas começamos por um que não tinha tantos cifrões, comparado aos demais estrelados, é claro. E foi então uma das experiências gastronômicas mais marcantes que eu já tive, comparável somente à primeira vez que fui no Aizomé, em São Paulo, um pequeno restaurante japonês onde o menu-degustação é uma arte que acompanha cerâmicas adequadas a cada prato. Mas essa é uma história para outro post.

Como não tenho fotos, não faz muito sentido eu ficar descrevendo os pratos que comemos. Mas fica aqui a dica. Aliás, eles também têm uma ótima carta de vinhos, com preços bacanas. O Quimera, da Achaval Ferrer, por exemplo, saía por 150 pesos. O mesmo preço da adega!

Contudo, não posso atestar que haja regularidade nas experimentações do chefe (infelizmente, problema semelhante recai sore o Aizomé). Nessa nossa última viagem, voltamos ao Restó, e apesar da boa comida, ela não estava excepcional. Não senti nada comparável àquela primeira experiência sensorial de combinações perfeitas de aromas e sabores. À exceção da entrada: pequenos filés de tricha marinada (não sei se é assim que se escreve, mas a tal tricha é um peixe), acompanhados de ótimo vinho branco. Como a taça fazia parte do prato, não sei que vinho era. E estava tão concentrada com aquela combinação, que não me preocupei em perguntar.

Por fim, uma convicção: os portenhos não têm tradição em sobremesas!

Cotação: $$$$

Avaliação: 5

Publicado por: julianabassetti | Agosto 11, 2008

Vinho argentino mais barato no Chile?!

Comprar vinho diretamente na vinícola é mais barato, certo? Nem sempre. Pelo menos foi o que constatamos em Mendoza e Santiago. Em se tratando de vinhos, não existe a história do “direto da fábrica”. Claro que tem sempre aquela lojinha no final da visita oferecendo para venda os diferentes rótulos produzidos ali. Mas os preços, em geral, não são tão acessíveis como pensamos…

Na Concha y Toro (em Santiago) os vinhos são mais baratos, mas a diferença de valor é muito pequena em relação às adegas especializadas ou mesmo em relação ao supermercado local (e não se iluda, mesmo na própria vinícola você não vai encontrar um Almaviva ou Don Melchor por menos de US$120,00). Na Achaval Ferrer (Mendoza) os vinhos estavam pelo mesmo preço vendido nas adegas. Achei um absurdo, já que eles não gastam com transporte, aluguel de loja, funcionários, etc. Na minha opinião, poderia ter um desconto para os que fizeram a degustação.

Aliás, por mais bizarro que possa parecer, encontramos vinhos argentinos mais baratos no Chile e vice-versa. Como pode isso? Simples. Na Argentina há inflação e, com isso, quase todos os vinhos ficam mais caros. No Chile a inflação é bem menor e os vinhos argentinos acabam sendo vendidos pelo mesmo preço desde quando ele foi importado. Como vinhos obviamente não estragam (se corretamente armazenados, é claro) e podem passar muito tempo na prateleira, a diferença de preço pode ser considerável se você calcular a inflação argentina acumulada em dois ou três anos e compará-la com a chilena.

Um segundo fator talvez explique por que vinhos chilenos podem estar mais baratos na Argentina: suponhamos que um vinho chileno de excelente qualidade, da safra 2003, foi repassado em 2004 para uma loja de vinhos argentina. Suponhamos também que em 2005 esses vinhos da safra 2003 já estão esgotados em todo o Chile. E pra piorar, a safra 2004 que seria comercializada em 2005 não teve uma boa colheita por causa de uma forte chuva de grazino. Sabemos que quando uma safra é praticamente perdida, há menos uvas para produzir vinhos e, conseqüentemente, se produz menos garrafas. Nessa nossa hipótese, a safra de 2004 vendida em 2005 chegaria ao consumidor com um valor muito mais alto do que a de 2003.

E se você tiver paciência e sorte, corre o risco de encontar lá no fundo da prateleira de uma adega argentina a última garrafa, já empoeirada, de um renomado vinho chileno com a etiqueta no valor de 2004. Essa situação também vale para lojas do Chile que vendem vinhos argentinos. Por isso, fiquem atentos!

Publicado por: julianabassetti | Agosto 5, 2008

Café Tortoni, uma tortura!

Fachada do Café Tortoni. Foto do site www.cafetortoni.com.ar

Fachada do Café Tortoni. Foto do site www.cafetortoni.com.ar

Numa noite fria de Buenos Aires, lá pelas 23 horas, fomos até o tão falado e tradicional Café Tortoni, na Av. de Mayo, 825, em Buenos Aires.

Tínhamos a expectativa de assistir a um show de tango, conforme anunciado nos posters afixados na entrada. Claro que sem reservas, nada de show. Porém, estávamos dispostos a entrar e tomar um café, ou uma cerveja, só para não perder a viagem.

Ao saber que os ingressos para o show estavam esgotados, nos deparamos com uma grande fila de espera só para entrar no café. Espiei pela fresta da porta, e vi que havia muitas mesas disponíveis. Pensei “deve ser pra quem fez reserva”. Porém, já era quase meia-noite. Se alguém tinha reservado mesa, provavelmente não apareceria mais. Enfim, tentei compreender a política da casa.

Depois de alguma chuva e mais 40 minutos esperando na calçada, conseguimos entrar. Do lado de dentro, a mesma constatação inicial: várias mesas vazias.

Sentamos e pedimos o cardápio. Os garçons eram poucos, o que nos fez pensar que a espera do lado de fora não era por falta de mesa, mas por falta de pessoal para atender. Após dez minutos, cravados, sem conseguir fazer o pedido, nos levantamos e fomos embora. O funcionário que ficava na porta controlando a entrada sabia que tínhamos acabado de entrar e nem ao menos nos perguntou se algo estava errado. Simplesmente nos viu passar pela porta e nem deu boa noite.

Um lugar com 150 anos de história onde os caras ainda não aprenderam a atender um cliente.

Resumo da noite: compramos empanadas de uma conveniência 24 horas e uma Quilmes litrão. Levamos tudo pro quarto do hotel e fomos muito felizes.

DICA: Pra quem quer muito ir, sugiro fazer reserva pelo telefone 54-11- 43424328 ou acesse http://www.cafetortoni.com.ar
Boa sorte.

Publicado por: julianabassetti | Julho 30, 2008

Tour na Concha y Toro

COMO CHEGAR

Barricas de roble (carvalho) francês da CyT

Barricas de roble (carvalho) francês da CyT

A vinícola Concha y Toro fica em Pirque, um povoado distante 27 Km da cidade de Santiago, no vale do Rio Maipo. Lá existem outras bodegas, mas a CyT é a mais conhecida. Do centro de Santiago, a viagem leva quase uma hora e meia. Vá até a estação Plaza de Puente Alto, ponto final da linha azul L4. Saia da estação e, na praça, informe-se onde você deve pegar um microonibus azul-celeste (como eles definem a cor do micro) que leva até à vinícola. Nós paramos o primeiro azul-celeste que passou e perguntamos ao motorista. Nem olhamos a numeração. O ônibus deixa quase na porta. Avise ao motorista que você vai à Concha y Toro. Eles já estão acostumados. Ah, e leve moedas para pegar o ônibus.

PREÇO DO WINE TOUR

A entrada para a visita guiada na CyT custa $6 mil pesos chilenos por pessoa (ou US$ 14 dólares ) e acontece em horas pré-determinadas. Na alta temporada, é recomendável ligar e reservar. O telefone é (56-2) 475-5269 ou (56-2) 476-5680 ou ainda (56-2) 476-5000. Também é possível reservar pelo site www.conchaytoro.com
Para saber os horários de atendimento, entre no site, clique em “Visítenos”.  Depois da introdução, clique em “Tour” e, em seguida, “Información y Precios”.

Que a vinícola Concha y Toro tem excelentes vinhos, isso pouca gente discute. Agora, certamente, não são os vinhos que chegam aos nossos supermercados e na maioria dos restaurantes daqui. O “Casillero del Diablo”, tão presentes nas mesas brasileiras, é um dos mais fracos da bodega, depois do “Sunrise”, “Frontera” e “Trio”.

Para quem é mais exigente com vinho, já vou avisando que o tal do tour inclui na degustação apenas dois rótulos: o “Casillero” e o “Marques de Casa Concha”. Esse último, bem melhor que o “Casillero”. Nós ficamos na expectativa de provar o top de linha da CyT, “Don Melchor”. Logo descobrimos que se você quiser prová-lo, tem que pagar pela taça no Wine Bar onde se encerra a visita. O preço da taça do “Don Melchor”: $ 10 mil pesos chilenos (cerca de US$20 dólares). Sou chic, mas não sou tola. Por esse preço, compro uma garrafa inteira de um excelente vinho. Ficamos sem provar o dito.

Rodrigo é o guia da visita em espanhol

Rodrigo é o guia da visita em espanhol

Desgostos à parte, o tour não é de todo ruim. Logo no início da visita, você ganha uma taça de vinho jateada com o nome Concha Y Toro. É com essa taça que você vai provar os vinhos. Achei o gesto muito simpático (o chato é carregar a taça na mão o restante da viagem até voltar para o Brasil). Nosso guia em espanhol, o Rodrigo, era super atencioso. Tentava falar português, traduzindo palavras como “pollo” para “frango”, mostrou a propriedade do velho Don Melchor Cocha y Toro, fundador da bodega, e contou a origem da Lenda do Casillero del Diablo.

A LENDA DO CASILLERO DEL DIABLO

Adega "Casillero del Diablo", trancada a chaves e sob os cuidados do diabo

Adega "Casillero del Diablo", trancada a chaves e sob os cuidados do diabo

A lenda surgiu há mais de 100 anos, quando o fundador da vinícola, Don Melchor Concha y Toro, guardou na adega subterrânea chamada “Casillero” exemplares dos melhores vinhos de cada safra. Com o tempo, ele percebeu que as garrafas estavam sumindo. Como sabia que o povo da região era muito supersticioso, inventou a história de que ali morava o Diabo. O rumor se espalhou pelo povoado e as garrafas nunca mais desapareceram. Hoje o local abriga vários barris com vinho e também uma coleção de garrafas de Don Melchor que têm entre 15 e 20 anos. As garrafas ficam guardadas atrás de um portão de ferro cadeado e com a supervisão do Diabo. Na verdade, uma brincadeira. Junto às garrafas, uma sombra é projetada com um fundo de luz vermelha, como se fosse o próprio Capeta cuidando dos vinhos.

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