Publicado por: julianabassetti | Julho 21, 2008

Degustação de vinhos na Achaval Ferrer

Em 2007 compramos em Buenos Aires, na loja Winery da Corrientes, um vinho chamado Quimera, da vinícola mendozina Achaval Ferrer. Gostamos muito desse vinho e decidimos procurar a bodega para uma visita nessa trip de 2008.

Verônica é quem apresenta os vinhos (em espanhol) e acompanha a degustação

Verônica é quem apresenta os vinhos (em espanhol) e acompanha a degustação

A Achaval Ferrer é uma vinícola nova, tem apenas 10 anos, e se dedica a produzir poucas garrafas de vinhos de excelente qualidade. Eles não costumam fazer o chamado Wine Tour (ou Wine Tasting), como tantas outras vinícolas da cidade. Mas se você realmente tiver interesse em conhecer os vinhos que eles produzem, é possível agendar uma degustação dos melhores rótulos da bodega pelo preço de $60 por pessoa. E quando eu digo os melhores, estou me referindo a vinhos que, em São Paulo, custam quase R$400 a garrafa! Quando não R$800, para o caso de rótulos de anos de safras excepcionais! Ou seja, você vai realmente ter acesso a uma experiência de degustação, diferentemente da picareta da Concha Y Toro (em Santiago, no Chile) que no Wine Tour não oferece uma única gota sequer de seus melhores vinhos (Almaviva e Don Melchor – US$ 130, a garrafa), mas essa história fica para outro post.

Na Achaval, se você comprar alguma garrafa, ainda nem precisa pagar os $60 da degustação. Porém, o Quimera custa ali $150 pesos, e os Fincas Altamira e Mirador, em torno de $435 pesos. Sim, esses dois últimos são bem caros, mas mesmo uma leiga como eu pôde entender o que é realmente um vinho de qualidade. Sabe aqueles comentários de fungadores de copos profissionais (notas de tabaco, com leve toque de pimenta, etc, etc)? Pois não é que você sente tudo isso ao experimentar os Fincas da Achaval?! É realmente impressionante. Me fez entender melhor o que, afinal, distingue um bom vinho de um ordinário, aos quais estamos tão acostumados nas pratelheiras de nossos supermercados.

Provamos quatro diferentes garrafas, mas a degustação acontece com cinco vinhos:
- um Varietal Malbec (leve e simples);
- o Quimera (que é um corte de 50% Malbec e os outros 50% distribuídos entre as uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc. As proporções mudam a cada ano para buscar o equilíbrio ideal daquela colheita);
- Finca Bella Vista – não provamos. Havia poucas garrafas e elas estavam restritas à venda (e bem mais caras). Isso porque ocorreu uma nevasca dias antes da última colheita e eles perderam toda a produção;
- Finca Altamira (um Malbec, mais leve, com um quê de frutas tropicais);
- Finca Mirador (um Malbec, mais encorpado, com notas de tabaco, bem amadeirado).

Os Fincas são uma experiência interessante. Os três são Malbec, feitos através do mesmo processo e com o mesmo tempo de repouso em barricas de carvalho francês (de 15 a 18 meses, dependendo da colheita). Mas como as uvas são provenientes de três propriedades em regiões bem distintas (daí os nomes das Fincas), os resultados são completamente diferentes. Ou seja, os três Fincas são a experiência viva daquilo que se denomina terroir: o complexo ambiente no qual uma vinha se desenvolve, em função de sua combinação única de clima, topografia e solo.

A DEGUSTAÇÃO

O lugar da degustação pode ser em uma sala da vinícola ou a céu aberto, em sofás com vista para os vinhedos. Escolhemos o lado de fora, claro.

Vista dos vinhedos da Achaval Ferrer, em sua sede, em Luján de Cuyo, e do nosso cantinho de degustação.

Vista dos vinhedos da Achaval Ferrer, em sua sede, em Luján de Cuyo, e do nosso cantinho de degustação.

A degustação acontece com o acompanhamento de uma pessoa da casa, que explica o que é cada vinho, como é produzido, etc. Quem nos atendeu foi uma moça linda e simpática, a Verônica.

COMO CHEGAR NA VINÍCOLA

Para chegar na vinícola, ATENÇÃO: ela fica longe do centro de Mendoza, no distrito de Perdriel, departamento de Luján de Cuyo, na grande Mendoza. A estrada é de terra e só há um ônibus que vai para lá. Como perdemos o horário, fomos de táxi. O taxista não sabia onde era, nos perdemos, ninguém na região conhecia a Achaval Ferrer, sofremos um acidente no caminho (o táxi estava em alta velocidade e bateu atrás de um ônibus) mas ainda assim conseguimos chegar com o carro batido e um pouco despenteados. Eu fiquei com um roxo no joelho e vários cacos de vidro no bolso.

Concluímos que é mais seguro, além de barato, ir de ônibus (nosso táxi foi quase $90 pesos). De quebra, você ainda conhece todo a região de Luján de Cuyo. Peça informações sobre o número do ônibus no balcão de informações turísticas do terminal de ônibus da cidade. É de lá que saem os buses. A vinícola é longe, leva quase uma hora pra chegar. Então, saia de Mendoza com bastante antecedência.


Respostas

  1. Parabéns, de altíssima qualidade o blog e todo o seu conteúdo! Os artigos são excelentes sob todos os aspectos, objetivos e claros para quem busca informações para viajar. Estou indo para Buenos Aires dia 28 de out e retorno dia 3 de nov, mesmo com pouco tempo me animei para visitar Mendoza de ônibus e conhecer a Achaval Ferrer.

  2. Nossa, Franciso!
    Não sabes como o teu comentário me deixa feliz. A idéia é essa! Já perdi várias oportunidades de conhecer lugares incríveis por pura falta de informação. Certa vez eu estava viajando pela Europa e passei bem perto de locais imperdíveis. Porém, nem fazer idéia de que eles existiam. Só quando voltei de viagem é que me disseram: “mas você não foi até o castelo de sei lá das quantas?” E eu: “não, nem sabia que existia”. Pois é, perdi.
    Vá para Mendoza, você não vai se arrepender!
    Beijos

  3. Oi, Juliana,
    Sua dica sobre a Achaval-Ferrer foi fabulosa. Esta foi uma das bodegas que incluímos no nosso wine tour. Obviamente não conseguimos sair de lá sem ter comprado pelo menos uma garrafa. Optamos pelo Finca Altamira, embora eu pessoalmente tenha gostado mais do Finca Mirador. A degustação foi tal qual você descreveu, com a única diferença de não ter sido ao ar livre, pois infelizmente estava chovendo. Algo bastante atípico em Mendoza. Ao final, ainda fomos brindados com a versão deles do vinho do Porto, o qual eu teria comprado se já não tivéssemos acumulado algumas garrafas. Também tivemos uma degustação dos azeites produzidos pela Achaval-Ferrer. Aproveitando a deixa, gostaria de dar a dica de outra bodega, a ‘Domaine St. Diego’. Eles se identificam como ‘bodega garage’ de tão pequeninos que são. O dono é o Angel Mendoza, considerados por muitos um dos melhores enólogos argentinos. Trabalhou por muitos anos com a Trapiche até que resolveu ter a sua própria bodega, projeto no qual toda a família está envolvida. Angel é uma pessoa que gosta de experimentar. Ele decidiu, por exemplo, que é possível fazer vinho de altíssima qualidade sem usar os tão famosos barris de carvalho francês. E conseguiu. Seus vinhos volta e meia estão ganhando prêmios. O nosso favorito foi o Paradigma, com 60% malbec, 20% cabernet franc e 20% cabernet sauvignon. Parece que a cabernet franc é a nova coqueluche local. Andaram descobrindo que o ‘terruño’ (não, eles não usam mais a palavra ‘terroir’) ali é ideal para esta cepa. Podemos esperar grandes cabernet franc mendocinos no futuro! Na Domaine St. Diego também tivemos uma degustação de azeites, além de também termos bebido o ‘Oportuno’, que como o nome sugere, é mais uma versão do vinho do Porto. Para fazer o nosso wine tour, nós usamos a Aventura&Wine (www.aventurawine.com.). Eles oferecem a você um serviço personalizado, dentro dos seus interesses. Não é barato, foi 595 pesos por pessoa o tour de um dia, incluindo o almoço na Ruca Malén, que foi escolhido por nós. Ricardo, o nosso guia, além de ser muito simpático, tinha uma cultura excepcional, não somente sobre vinhos. Além dele, ainda tínhamos o motorista! Chic mesmo, não? Bem, espero que estas informações possam ser úteis para outros amantes do vinho com útil foi tudo o que você escreveu no Mochila Chic. Muito obrigada! Vanessa

  4. Juliana, que tal vc realizar uma eno-ponte com a Vanessa? Pretendo ficar 2 dias por Mendoza e tenho interesse em conhecer a Domaine St. Diego, caso não seja tão longe. Na verdade, pretendo visitar as bodegas que ficam fora do circuito tradicional, bem no estilo da Achaval-Ferrer. A sua descrição da viagem me deixou intrigado. Afinal, vc disse que “só há um ônibus que vai para lá” e que perdeu o horário, que horas sai este ônibus? Pode me passar dicas de outras bodegas interessantes? Pretendo conhecer umas três nestes dois dias em Mendoza, o que acha?

  5. Puxa, Vanessa. Suas dicas saíram melhor do que a encomenda!
    Eu não gostei muito dos azeites produzidos lá. O gosto é meio adstringente, sabe? Parece que a azeitona ainda está verde. Foi a impressão que tive. Ainda prefiro os portugueses.
    Eu também amei o Finca Mirador, mas meu bolso não se animou a pagar o preço da garrafa. Quem sabe numa próxima oportunidade. Acabei me consolando com um Quimera mesmo…
    Que bom que você foi gentil em compartilhar aqui suas dicas. Vou usá-las na minha próxima viagem!
    Beijos,
    Juliana

  6. Oi Francisco,

    não me lembro o horário desse ônibus, mas na rodoviária de Mendoza tem um guichê de Informações Turísticas. Lá eles te informam tudo direitinho.
    Não conheci outras bodegas lá em Mendoza. Me foquei na Achaval porque eu já tinha ido atrás deles daqui do Brasil.
    As bodegas que existem lá pra fazer wine tour são muito badaladas, pouco intimistas.
    Pense num vinho que você goste e que seja daquela região de Mendoza. Entre o site da vinícola e mande e-mail perguntando a possibilidade de uma visita. Ou ligue! Foi o que eu fiz.
    Abraços e boa sorte,
    Juliana

  7. Estou indo para Mendoza nos dias 20 a 22 de dezembro. Dia 20, chegarei no final da tarde. Portanto, acho que não dará tempo de fazer nada, a não ser conhecer a própria cidade (a rua de restaurantes e lojinhas). Gostaria de fazer um pesseio de bike até a vinícola Ruca Malén. Gostei muito dos roteiros da agência Mendoza Holidays http://www.mendozaholidays.com Vocês tem alguma sugestão? Gostaria de conhecer ainda o restaurante Francis Mallmann e a Família Zucardi. Somos um casal. Obrigada.

  8. ESTOU INDO DEPOIS DE AMANHÃ PARA MDZ.
    JÁ MANDEI UM E-MAIL PRA ACHAVAL FERRER PRA MARCAR UMA VISITA. TAMBEM OUVI FALAR DA RUCA MALEN , LÁ MARQUEI UM ALMOÇO COM HARMONIZAÇÃO . PRETENDO ALUGAR UM CARRO COM GPS . NA VOLTA CONTO COMO FOI.

    ABÇS

  9. IA ESQUECENDO , TAMBEM MARQUEI NA CATENA E ALMOÇO DOMINGO NA FAMILIA ZUCCARDI , DIZEM QUE É IMPERDIVEL

  10. Ai iai… que inveja. Acho que esse ano eu não vou pra Mendoza. Volte e conte tudo mesmo! Não sei se Familia Zuccardi é imperdível, mas vc pode ir lá e conferir pra gente, né?
    Abração!

  11. REALMENTE A ACHAVAL FERRER ME SURPREENDEU. A DEGUSTAÇÃO FOI ÓTIMA , SEMPRE ACOMPANHADA DE PÃO E PELO AZEITE QUE ELES PRODUZEM POR LÁ , LÓGICO QUE NÃO SAI SEM ALGUMAS GARRAFAS . ALUGUEI UM CARRO EM MENDOZA E ACHEI QUE VALEU MUITO A PENA. PRÓXIMO A ACHAVAL FERRER TEM A RUCA MALEN , UMA BODEGA PEQUENA COM UM ALMOÇO DEGUSTAÇÃO SIMPLISMENTE MARAVILHOSO. LÁ NOS INDICARAM OUTRA BODEGA PRÓXIMA , MELIPAL . FOMOS A ELA NO DIA SEGUINTE E GOSTAMOS MUITO. LÁ ELES TAMBEM SERVEM UM ALMOÇO HARMONIZADO QUE É SENSACIONAL , SEMPRE COM VISTA DAS CORDILHEIRAS. OUTRA QUE VISITAMOS FOI A CATENA ZAPATA , ESTA JÁ UM POUCO MAIOR MAS QUE TAMBÉM VALE A PENA PRINCIPALMENTE PELO SEUS ÓTIMOS VINHOS. PASSAMOS PELA VISTALBA , MUITO BONITA MAS JÁ ERA UM POUCO TARDE E NÃO DEU PARA CONHECER DIREITO , NA MINHA PRÓXIMA VEZ VOU MAIS CEDO.
    POR ULTIMO , FOMOS A FAMILIA ZUCCARDI , UMA DAS MAIORES DA ARGENTINA. É LEGAL FAZER ESTA VISITA , SE TIVER TEMPO , POIS DÁ UMA NOÇÃO BASTANTE GRANDIOSA DE TODO O PROCESSO DE VINIFICAÇÃO. LÁ TEM UM ALMOÇO NOS PARRERAIS BASTANTE AGRADAVEL. TAMBEM TEM UM PASSEIO DE BICICLETA QUE LEVA CERCA DE DUAS HORAS NO MEIO DOS PARRERAIS COM TRES PARADAS. UMA EM MEIO A PLANTAÇÃO DE CHARDONAY , OUTRA CABERNET E A ULTIMA MALBEC. LÓGICO , EM CADA PARADA UMA TAÇA DE VINHO COM A UVA CORRESPONDENTE.
    SÓ PRA NÃO PASSAR EM BRANCO , ADOREI A CIDADE DE MENDOZA , MUITO ARBORIZADA , ÓTIMOS RESTAURANTES E LOCAIS PARA PASSEAR.
    JÁ ESTOU PROGRAMANDO A VOLTA…..

    ABRAÇOS

  12. Poxa Ernesto, quase que comprei uma passagem pra Mendoza depois de ler teu post.
    Valeu as dicas!


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